Quase diariamente, a dona de casa Eliana Silva Gonçalves, 29 anos, parte de sua residência, no bairro São Judas, em direção à localidade do Quebrachinho. Como condução, conta com uma bicicleta. “Sempre tive costume de usar, desde quando eu morava em uma chácara. Na época, o pai colocava a mãe atrás da sua bicicleta. Uns iam carregando os outros”, conta. O veículo fez parte de sua infância e foi a solução para não perder a hora da aula: “eu ia para o colégio de bicicleta, mas o Julinha Taborda era perto de casa”. Agora, os filhos Elias, de três anos, e Eliseu, de um ano, descansam durante o percurso de, aproximadamente, 10 quilômetros, em duas caixas, acopladas na frente e atrás da estrutura de duas rodas.Contexto nada próspero
Mas com a idade, chegam as responsabilidades, disso Lopes sabe bem. São 12 quilômetros entre a Vila Damé e a estância onde trabalha: o percurso é cumprido duas vezes ao dia: “uso porque é mais barato”. Para quem tem tamanha experiência, afinal, são quilômetros acumulados, o conhecimento do trânsito bajeense remete à indignação: “ninguém respeita os ciclistas, além disso não há onde deixar a bicicleta. Para ir ao centro, só de ônibus”. O medo é do furto, fruto de outro tipo de desrespeito. Situação pela qual o universitário Antoniel Martins, 24 anos, já passou: por duas vezes, sua bicicleta foi levada de locais que considerava como seguros. Resultado: hoje, sonha com a compra da quarta bicicleta. “Aprendi a andar por volta dos seis anos de idade. Tive três bicicletas até hoje. Sem dúvida nenhuma, ela facilitou meus deslocamentos para o trabalho, universidade e para diversas atividades diárias”, considera. Se para ir trabalhar ou estudar é preciso segurança, o que não é preciso para quem utiliza a bicicleta como transporte e local para carregar o que, logo, se transformará em renda? O catador Elder Lopes Vivian, 57 anos, aposta no respeito ao espaço de cada um. Tanto que avalia que a cidade já melhorou. Há dois anos na atividade, mas há 40 como condutor, ele diz que a situação já foi bem pior: “agora respeitam mais os ciclistas, principalmente aqueles que estão trabalhando”. Para a opção pela bicicleta, um argumento: “para carroça não tenho espaço, a bicicleta é mais econômica e fácil de andar. Só complica com a chuva. Com a umidade, o papelão pesa mais”.
Mas na hora de estacionar tudo se complica, conforme defende Martins: “é pouco o oferecimento de espaços seguros para as bicicletas. Geralmente, temos que deixar em postes e fixar numa corrente ou pedir para guardar dentro de algum estabelecimento. Acredito que isso decorre de um aspecto cultural: a bicicleta ainda é vista como veículo direcionado para lazer e só. As ciclovias disponíveis se encontram próximas a locais onde as pessoas fazem caminhadas. Saindo desse perímetro não se encontra referência alguma de sinalização para ciclistas. Ou se percorre no meio da rua, em conjunto com carros e motos, ou a alternativa são as calçadas, o que não é permitido por lei. Todos ficam confusos: tantos os ciclistas quanto os motoristas e pedestres”.
Posição da SMTC
Fonte: Jornal Minuano Online


